O inquérito policial que subsidiou a operação teve início após um crime registrado em fevereiro de 2025. Conforme as investigações, duas mulheres foram vítimas de uma emboscada e sofreram agressões severas. O crime ocorreu em uma residência que servia como base para a facção e teria sido motivado por uma acusação de furto de celular na região, o que representaria violação das “regras” impostas pelo grupo criminoso.
As vítimas foram submetidas a sessões de tortura e “disciplina”, resultando em graves ferimentos. De acordo com a apuração, os integrantes chegaram a filmar as agressões para prestar contas às lideranças da facção. Os suspeitos foram identificados como membros ativos de uma facção de origem paulista.
Durante as diligências realizadas nesta terça-feira, equipes da DRACCO, DEIC e GOTE cumpriram mandados em endereços estratégicos identificados ao longo das investigações. Em um dos locais, um homem foi preso em flagrante pelo crime de receptação.
A investigação aponta uma relação hierárquica entre os envolvidos. A.J.G.S., de 29 anos, e A.J.J.S., de 31 anos, atuariam como “disciplinas” ou “cabeças”, exercendo funções de liderança. Já P.H., de 26 anos, e Í.S., de 23 anos, seriam membros iniciados, responsáveis por aplicar a chamada “correção paralela”, imposta a pessoas que descumprem regras internas da facção.
Segundo a Polícia Civil, esse modus operandi é característico da atuação de organizações criminosas e representa afronta direta ao Estado Democrático de Direito.
O delegado Wanderson Queiroz destaca que a operação reafirma o papel fundamental da Polícia Civil do Tocantins no combate ao avanço do crime organizado.
“A PCTO mantém uma política de tolerância zero contra qualquer tentativa de estabelecimento de um ‘Estado paralelo’ em território tocantinense”, afirma.
O delegado também ressalta que a repressão a esses grupos é contínua. “A repressão não é eventual, mas constante e sistemática. A Polícia Civil atua de forma integrada para garantir que o monopólio da justiça permaneça com o Estado. Não permitiremos que facções criminosas intimidem a população ou imponham suas próprias leis”, pontua.
A presença da DRACCO e da DEIC nos bairros da Capital, segundo a autoridade policial, visa não apenas efetuar prisões, mas também desarticular a logística financeira que sustenta essas estruturas criminosas.
Por fim, Wanderson Queiroz informa que as equipes seguem em diligências para localizar os demais suspeitos, que serão interrogados, e que o inquérito deverá ser concluído nos próximos dias.

Foto: Divulgação PCTO

Foto: Divulgação PCTO
Fonte: Secom / Governo do Tocantins
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